Bom ano, Vietname! 31/01/2014

Torturados. É assim que nos sentimos com tanta hora de autocarro em cima.

Após Ho Chi Minh subimos ao ponto mais alto da nossa viagem até agora, Da Lat. O primeiro sítio onde pudemos sentir frio neste Inverno que nos tem sido anormalmente quente. Foi bom, sentimo-nos perto de casa estando longe… A cidade em si não nos mostrou muito, no entanto foi engraçado poder ver como centenas de motas se organizavam, ou não, nos cruzamentos e rotundas ao tentarem seguir o seu caminho.

Querendo ver algo para além da confusão, pegámos na nossa própria moto e fomos à busca de umas cascatas que nos tinham falado. Que aventura! Depois de umas quantas horas por estradas onde os buracos eram de metro e as lombas se pareciam com passeios, visitámos três preciosidades da natureza: as cascatas Prenns, Datanla e Elephant. Em Da Lat vimos um “verde” que não víamos há muito.

Seguimos viagem em direção à costa, Nha Trang, onde ficámos apenas duas noites. Nesta cidade, para além de chuva, fomos presenteados com uma quantidade sem fim de turistas russos, tanto que as propagandas das lojas e os menus dos restaurantes estavam escritos no seu idioma.

Não ficámos fãs deste lugar e, por isso, com Hoi An como destino, entrámos num autocarro para mais uma noite desconfortável. Normalmente, visto que somos licenciados em “sono pesado”, conseguimos descansar em qualquer lado. No entanto, esta “tarefa” torna-se difícil quando quase somos projetados da cama de 5 em 5 minutos. Isto acontece pois as estradas no Vietname são quase tão planas como um campo de batatas. Para além disso, os condutores têm todo o cuidado de falar alto e fumar quando as pessoas estão a tentar dormir. Que dose!

Hoi An, que significa algo como “local de encontro de paz”, fez juz a esse nome. Esta pequena cidade do centro do Vietname proporcionava uma atmosfera pacífica e ideal para quem a quisesse visitar. Na sua zona histórica, pudemos descobrir traços dos antigos povos que por ali passaram mas o que mais se destacou foi a ponte japonesa sobre o rio. As diferentes cores dos edifícios proporcionavam uma sensação de bem-estar ao percorrer as ruas. Com os nossos amigos ingleses Jack e Chloe e fazendo uso das bicicletas que alugámos, passámos belos momentos numa cidade reconhecida como Património Mundial da UNESCO.

Com as mesmas letras mas trocando a sua ordem escrevemos Ha Nói. A calma de Hoi An foi substituída pela azáfama da cidade que é a capital do nosso segundo país do sudeste asiático. Devido à proximidade da celebração do novo ano chinês, as ruas estavam ainda mais preenchidas. Como é usual por estes lados, as motas são o veículo que mais circulam pela estrada fora. Foi neste meio de transporte que o dono do hostel onde estivemos alojados nos levou até um café local. Deu-nos a provar uma bebida bem diferente do que estamos habituados. Continha feijões, leite de coco, açúcar, gelo e um ou outro ingrediente que não conseguimos identificar. Muito doce, talvez até demais…

Numa das noites da nossa estadia em Ha Nói, quando estávamos à procura de uma lavandaria barata, entrámos num estabelecimento para o efeito mas que era também uma casa habitada. Fomos convidados a sentar e depressa nos puseram uma cerveja na mão. Era o 27º aniversário do dono do negócio de lavandaria. Após descobrirmos que o preço por kg de roupa excedia em muito o que o nosso orçamento permitia, fomos obrigados a cancelar a lavagem. Com toda a simpatia, o aniversariante disse que não havia qualquer problema. Insistiu para que ficássemos um pouco a conversar com ele e a restante família presente. O seu pai e dois tios faziam-lhe companhia à mesa e nós resolvemos ali ficar também. O tema, claro está, foi futebol. Os nossos Cristiano Ronaldo e José Mourinho são sempre figuras conhecidas dos nossos amigos asiáticos. Após 5 minutos de conversa, o avô do aniversariante de 85 anos chegou da França, país onde reside há 50. Este último revelou uma grande admiração pela eterna Amália Rodrigues e, citando o mesmo, pela “bebida para mulheres”, o vinho do Porto. Segundo o octogenário, trata-se de uma bebida muito agradável mas muito doce. Após cerca de meia-hora de conversa agradável voltámos para o hostel com uma excelente impressão do povo vietnamita.

Ao longo de 3 semanas, percorremos o Vietname desde o sul até ao norte. Visitámos lugares magníficos mas fica sempre muito para ver. De qualquer das formas, ao longo dos diferentes locais que estivemos e até durante as viagens de autocarro entre os mesmos, ficámos deslumbrados com o que vimos. As paisagens, as pessoas, os monumentos e a história fazem deste país uma nação que vale a pena ser visitada.

Partimos para Laos mesmo antes de ser celebrado o novo ano chinês no Vietname. É caso para dizer: bom ano, Vietname!

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