Feliz cansaço 13/03/2014

 

Após 119 dias desde o início da nossa aventura, aterrámos no último país deste Gap Year. A Tailândia finalmente chegou. Até à data, apenas encantou.

O voo proveniente de Vientiane com destino a Banguecoque teve uma certa turbulência que nos deixou com o coração nas mãos em certos momentos. Vivos e de boa saúde, chegámos à capital da Tailândia. O calor fazia-se sentir e bem! Neste tipo de situações, não há água que nos sacie. Ao chegarmos ao aeroporto de Banguecoque, encontrámos uma multidão de passageiros em filas intermináveis que aguardavam a aprovação da sua entrada neste país. Após cerca de uma hora conseguimos fazê-lo. Apanhámos um táxi em direção à estação de comboios pois precisávamos de comprar o bilhete para Suratthani, última cidade antes da ilha de Koh Phangan, local que tínhamos em vista. Entre o aeroporto e a estação, deu para ter um pouco a noção da dimensão desta metrópole. (Teremos oportunidade de a descobrir lá mais para o fim da viagem.)

Conseguimos adquirir o bilhete sem qualquer problema e esperámos pelo fim da tarde para rumar a Suratthani. Viajámos sentados durante a noite até aquela cidade. Não foi nada confortável, mas o hábito a estas situações torna a tarefa menos penosa. Ao chegar a Suratthani, tratámos de adquirir o bilhete do ferry para Koh Phangan.

Por volta da hora de almoço do dia 15 de fevereiro chegámos então à ilha de Koh Phangan. Esta ilha é conhecida, de entre outras coisas, pela Full Moon Party (festa da lua cheia). Em todas as noites de lua cheia, a principal praia da ilha enche-se de turistas de toda a parte do mundo. Ao longo da praia, os bares pareciam competir entre si. Cada um com a sua música, alegravam os que por ali se divertiam. Alguns ofereciam também espetáculos com cordas de fogo. Certos turistas mais atrevidos chegavam mesmo a oferecer-se para participar nessas demonstrações. Foi também na Full Moon Party que encontrámos um grupo de portugueses! Eu (André) estava propositadamente com uma camisola da seleção nacional, o que fez com que um deles viesse ter connosco e perguntado: “és de Portugal?!”. Foi uma alegria! É fantástico poder encontrar portugueses pelo mundo. Desta feita, três rapazes e uma rapariga com percursos de vida totalmente diferentes. Como por aquela ilha um dia não chega para celebrar a chegada da lua cheia, tivemos mais duas noites de festa, o que fez com que um grande cansaço se acumulasse em nós e este não nos “largou” nas semanas seguintes.

“A vida é uma festa”, pois é, mas não pode ser todos os dias. Assim, depois de se puderem contar pelos dedos das mãos as horas que descansámos, chegou a hora do nosso barco para a costa. Sabíamos que íamos ter companhia para dormir mas nunca nos passou pela cabeça que partilharíamos o “quarto” com cerca de 150 pessoas! O barulho não fez frente ao nosso cansaço e conseguimos descansar por cerca de 5 horas pois às 4:30 da madrugada já estávamos a atracar no porto de Suratthani. Fomos levados para a estação de autocarros desta cidade de onde pudemos ver o nascer do sol pois o autocarro que nos ia levar até Pak Song, local do voluntariado, era só às 6:30.

Din Dang, que em tailandês significa “barro vermelho”, foi a organização onde estivemos a fazer voluntariado nas 3 semanas seguintes. Esta organização tem como objetivo a divulgação do conceito de contrução natural usando, portanto, materiais que fossem “amigos do ambiente” e não envolvesse grande dispêndio de energia. A responsabilidade ecológica era tema recorrente nas nossas conversas com o Bow, o fundador desta organização.

O nosso dia começava às 8h da manhã com o pequeno-almoço. Às 9h já tínhamos que estar na área onde trabalhávamos. Nesse local, ajudámos em diversos aspetos: a construção de um edifício com o recurso a barro e palha; a construção de um pequeno abrigo usando bambu; ajudámos na conceção de um telhado com folhas de palmeira; etc. Entre as 12h e as 14h era tempo para almoçar e descansar. Aproveitávamos muito bem essa pausa já que o trabalho era bem cansativo. O dia de trabalho terminava por volta das 17h. Que bem que sabia! Voltávamos para a casa onde estávamos instalados juntamente com os outros voluntários e descansávamos o resto do dia. Às 19h era hora do jantar. Comemos sempre comida típica tailandesa. Uma coisa é certa, a comida indiana abre-nos bem mais o apetite. Nem falar da portuguesa… O nosso dia-a-dia era passado desta forma o que nos fazia desejar a cama como nunca antes o tínhamos desejado ao longo da nossa viagem. Após 21 dias de grande esforço mas também felicidade, saímos com um sorriso amarelo. Criámos boas amizades com os restantes voluntários o que dificultou o “adeus” àquele lugar que nos ajudou a ver a natureza como uma amiga, contudo o nosso corpo já nos andava a exigir descanso.

O voluntariado terminou e saímos de lá cansados mas felizes. A derradeira etapa está em curso. Falta pouco mais de um mês para darmos por terminada esta grande jornada. Resta-nos aproveitar ao máximo aquilo que este maravilhoso país tem para nos oferecer.

Até logo!

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