O Fado Indiano 28/11/2013

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O tempo passa, mas nem sempre parece fazê-lo da mesma forma. Por vezes, avança a passo de caracol em câmara lenta. Por outro lado, há ocasiões em que faz companhia à amiga velocidade da luz. De uma ou de outra forma, há sempre um fator que determina a sua pressa: a felicidade.

 

Um mês. Foi o tempo que ficámos no ISSI, organização do voluntariado. Em termos pessoais, o saldo não poderia ser melhor. O crescimento de cada um de nós foi monumental. Há que atribuir as “culpas” a vários elementos: as raparigas do curso de ajudante de enfermeira, as crianças, o Sr. Ramaswamy (presidente do ISSI) e a sua esposa Grace, o Sathish (motorista e auxiliar do ISSI), as pessoas nas ruas e a distância do nosso Portugal. Todos contribuíram para que tenhamos uma nova maneira de ver as coisas. A valorização do que temos pelo Ocidente é tremenda. Apenas quem experiencia algo como nós conseguirá ter noção do quão privilegiados somos no país à beira mar plantado.

Ao longo da estadia numa das sedes do ISSI, em Nangavaram, tivemos oportunidade de visitar um pouco dessa vila onde o instituto está inserido.  Ao percorrer as ruas de Nangavaram, foi fácil reconhecer a mudança de zona de castas. Numa zona, as casas das castas mais altas: as ruas eram largas, mais limpas (dentro do possível na Índia) e as casas possuíam condições mínimas de habitabilidade. Mais no interior da vila ficavam as castas inferiores: as casas eram mais pequenas, as ruas mais estreitas, proporcionando uma maior concentração de habitações. Na zona das castas inferiores, as condições eram miseráveis. Cada edifício possuía um telhado de folhas de palmeira, o que garantia um bom isolamento no que diz respeito à chuva. O interior da casa era recheado de vazio. Pudemos constatar isso aquando da visita com o Sr. Ramaswamy a uma família amiga. Vinte metros quadrados de chão tinham de ser suficientes para albergar uma família (quem sabe duas). Aqui o chão era a cama… Havia apenas uma divisão. Era cozinha, quarto e sala de estar. A casa de banho era a rua. O cheiro, por vezes, era insuportável.

Todos os dias, a passo lento e cansado, os agricultores arrastavam-se desde casa até aos campos e vice-versa. Na sua grande maioria mulheres, traziam no rosto melancólico o peso de uma vida repleta de trabalho árduo. Todavia, o cenário era magnífico. Toda a paisagem envolvente dos arrozais era digna de ser contemplada, embora mascarasse a dura realidade das pessoas que nela trabalhavam.

O tempo passa e Nangavaram já ficou para trás. Uma pequena vila indiana parada no tempo.  O progresso é palavra estranha àquele pedaço de terra. As pessoas não têm como escapar. A pobreza arrasta-as para uma triste realidade e atribui-lhes um fado, um destino: o fado indiano.

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